A demanda aquecida dos EUA eleva os preços do petróleo e reduz as exportações para o nível mais baixo em 4 anos

preços do petróleo

Nos últimos dias, o mercado internacional observou um movimento curioso e estratégico vindo dos Estados Unidos: enquanto os preços do petróleo subiram impulsionados por uma demanda doméstica robusta, as exportações da commodity caíram para o menor patamar desde 2021. Essa combinação reflete não apenas o aquecimento do consumo interno, mas também uma nova dinâmica na geopolítica energética global. O cenário cria tensões, pressiona mercados e levanta preocupações quanto à estabilidade da oferta internacional.

Consumo interno crescente impacta estoques e mercado

A Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA) divulgou recentemente que os estoques comerciais de petróleo do país caíram cerca de 3 milhões de barris em uma única semana, um volume significativamente acima das expectativas. Esse dado evidencia o ritmo acelerado de operação das refinarias americanas, que têm processado mais petróleo para atender à crescente demanda por combustíveis.

A queda dos estoques reflete um consumo elevado em um momento de forte atividade econômica, particularmente durante o verão no hemisfério norte, período tradicionalmente marcado por maior mobilidade e consumo de energia.

 

Queda nas exportações evidencia prioridade doméstica

Redução nas remessas para Ásia e Europa

Com os estoques em baixa e a demanda interna elevada, os EUA optaram por reduzir suas exportações de petróleo bruto, especialmente para os mercados asiáticos e europeus. Em julho de 2025, os embarques caíram para 3,1 milhões de barris por dia, o menor volume desde outubro de 2021.

Segundo dados da Kpler:

  • As exportações para a Ásia caíram para 862 mil bpd, o menor nível desde janeiro de 2019.

  • China não importou petróleo americano pelo quinto mês consecutivo, em meio a tensões comerciais.

  • Índia reduziu as compras em 46%, enquanto Coreia do Sul quase cortou pela metade.

  • Na Europa, os embarques caíram 14% em comparação a junho, totalizando 1,6 milhão bpd.

Esses números reforçam a estratégia dos EUA de priorizar o abastecimento doméstico, mesmo que isso represente perda de participação no mercado internacional.

Estoques baixos em Cushing e na Costa do Golfo

Outro fator relevante para a retenção de barris no mercado interno foi a situação no hub de armazenamento de Cushing, Oklahoma — um dos mais importantes dos EUA. Os estoques estavam logo acima dos níveis operacionais mínimos, prejudicados por interrupções no fluxo de petróleo canadense devido a incêndios florestais e à expansão do oleoduto Trans Mountain.

 

Na Costa do Golfo, as exportações também caíram 31%, chegando a apenas 78 mil bpd em julho. As refinarias da região compensaram a queda nas importações da Venezuela e México, consumindo mais petróleo nacional.

Preços do petróleo sobem com restrição de oferta

A limitação das exportações americanas ocorreu no mesmo momento em que os preços internacionais do petróleo subiram. O Brent alcançou US$ 67,09 e o WTI atingiu US$ 64,57. O mercado global interpretou a retração da oferta dos EUA como um sinal de possível escassez, elevando os preços em resposta à incerteza.

Além disso, tensões geopolíticas envolvendo Rússia, Irã e decisões da OPEC+ sobre a produção global adicionam incertezas ao cenário energético.

Implicações geopolíticas: tarifas e tensões comerciais

As exportações americanas também são impactadas por uma crescente disputa comercial entre os EUA, China e Índia. O ex-presidente Trump anunciou tarifas de 25% sobre produtos indianos devido à continuidade das compras de petróleo russo por Nova Délhi. Ele também ameaçou aplicar sanções similares à China.

Essas ações políticas reduzem ainda mais o apetite de países asiáticos pelo petróleo dos EUA, empurrando os EUA para uma posição mais introspectiva em sua política energética.

 

A combinação de estoques em queda, demanda interna aquecida e redução nas exportações reforça uma tendência: os Estados Unidos estão priorizando seu mercado doméstico, o que afeta diretamente os preços do petróleo no mercado global. Esse novo equilíbrio pode sustentar valores mais altos por mais tempo, especialmente se persistirem as tensões geopolíticas e comerciais. Para o restante do mundo, resta acompanhar os desdobramentos e se adaptar a uma possível reorganização dos fluxos internacionais da commodity.

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